Dando uma volta pela cidade do Rio de Janeiro, numa tarde de domingo, descendo a Av. Niemeyer na direção
de São Conrado, entre a agitação das massas populares do Vidigal e rescaldos
da ciclovia esfarrapada pelas águas (que intrépidos ciclistas, ainda assim, não
deixam de usar), vejo ao longe, onde sempre esteve soberba a Pedra da Gávea, uma novidade
na paisagem!
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| Fogo na Pedra da Gávea - foto Guina Araújo Ramos, 22/08/2021 |
Serão nuvens passageiras?
Ou terá a montanha rasgado as vestes e se transformado (ressentida
talvez com a cultura dominante local) em um vulcão geologicamente tardio?
No que me aproximo e percebo melhor as formas, tais
arrepios urbanos se tornam precisos: é “simplesmente” um incêndio na mata
rala da encosta da Pedra da Gávea, na vegetação ressecada de uma das montanhas mais turísticas do
Rio de Janeiro.
Certamente, não uma questão apenas local: o Brasil politicamente pandêmico está todo pegando fogo, tanto metafórica quanto literalmente.
Parece evidente, e os cientistas já cansam de avisar,
que, se não nos atentarmos rapidamente para este atentado ao país, e se não agirmos tão rápido assim
para conter a insensatez deste incêndio, toda esta nossa insana agressão ao meio
ambiente (que é de todo mundo, do mundo todo) logo se transformará na construção do mais destruidor vulcão
que a Terra verá, até porque, como um verão eterno, consumirá a Terra, ao menos no que nos sustenta a vida.
Atados à nossa insensata fé em negócios rasteiros, nós, humanos, continuamos a atear o fogo desta progressiva erupção, cuja destruição final nem todos veremos, nem por muito tempo, enquanto a Terra, tórrida, seguirá sem nós...
Adendo radicalmente propositivo:
O desastre se aproxima, enquanto
a orgulhosa orquestra capitalista continua engambelando os passageiros da Terra...
Até crescem as discussões sobre a anunciada catástrofe ambiental, e é uma pena que a destruição
que produzimos avance muito mais rapidamente...
Como evitar, para ficar na
alusão, o duro choque com o iceberg?... Ou, talvez em imagem mais própria, a nossa
queda no inferno?...
Sei não. Mas, tendo como referência o momentoso exemplo histórico, talvez seja necessário que surja no mundo um Talibã Ecológico...
Um movimento que, radicalizando
a proteção ao meio ambiente, e abarcando todo o território terrestre, vença rapidamente
esta luta inglória, e de tal forma que a gente se livre de vez dos que, há décadas, há séculos,
destroem o nosso país e o mundo.
Uma organização que imponha a
defesa do meio ambiente, e do varejo ao atacado. Desde, por exemplo, declarar
inafiançável o crime da soltura de balões e preservar os espelhos de água e as suas fontes até organizar (talvez encerrar...), por
completo e de supetão, aqui e no mundo, do garimpo ao agronegócio, entre outros
males destruidores da Amazônia e de outras florestas.
Que a consciência nos
leve à ação objetiva e salvadora!
Do jeito que está é
que não vai ficar: só vai piorar...