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quinta-feira, 7 de maio de 2026

22. Rio de Janeiro: uma cidade às cegas

 

Castelo, Centro, Rio - Pça. Mário Lago esquina R. São José - Foto: Guina Araújo Ramos, 29/04/2026

Triste Rio de Janeiro...
Rio, cidade de altos e baixos, de belas formas e raízes disformes, de veios sem rumos e vias sem paz. Cidade que abandona o que fez e mal se refaz do abandono...
No porto abrigado se fez a cidade de outrora. O acúmulo de bens e pessoas fez daquela cidade o Centro de uma grande cidade. Aos poucos os meios e os ganhos levaram as pessoas de bens a ocupar o entorno das praias e serras. No que o passado não sustentou o presente, ficaram no Centro espaços vazios e pessoas sem bens.  

Restam muitos tesouros no Centro, entre eles os da História e do Ambiente, mas os cegos poderes insistem que o Rio seja uma terra sem lógica. Escondem com tapumes, plantados pelos que se agarram a negócios, a necessidade da presença de pessoas e de árvores no Centro. 

Pelo que se vê, da prática dos poderosos, mais do que tapumes, são antolhos!

Tapumes na Pça. Mário Lago  - Foto: Guina Araújo Ramos, 29/04/2026

Há muito espaço, em muitos andares, que podem, que necessitam ser reocupados.
O Centro do Rio não precisa de mais construções que, desde já, nascerão abandonadas...

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

17. O vulcão da insensatez humana

Dando uma volta pela cidade do Rio de Janeiro, numa tarde de domingo, descendo a Av. Niemeyer na direção de São Conrado, entre a agitação das massas populares do Vidigal e rescaldos da ciclovia esfarrapada pelas águas (que intrépidos ciclistas, ainda assim, não deixam de usar), vejo ao longe, onde sempre esteve soberba a Pedra da Gávea, uma novidade na paisagem! 


Fogo na Pedra da Gávea - foto Guina Araújo Ramos, 22/08/2021
 

Serão nuvens passageiras?

Ou terá a montanha rasgado as vestes e se transformado (ressentida talvez com a cultura dominante local) em um vulcão geologicamente tardio?

No que me aproximo e percebo melhor as formas, tais arrepios urbanos se tornam precisos: é “simplesmente” um incêndio na mata rala da encosta da Pedra da Gávea, na vegetação ressecada de uma das montanhas mais turísticas do Rio de Janeiro.

Certamente, não uma questão apenas local: o Brasil politicamente pandêmico está todo pegando fogo, tanto metafórica quanto literalmente.

Parece evidente, e os cientistas já cansam de avisar, que, se não nos atentarmos rapidamente para este atentado ao país, e se não agirmos tão rápido assim para conter a insensatez deste incêndio, toda esta nossa insana agressão ao meio ambiente (que é de todo mundo, do mundo todo) logo se transformará na construção do mais destruidor vulcão que a Terra verá, até porque, como um verão eterno, consumirá a Terra, ao menos no que nos sustenta a vida.

Atados à nossa insensata fé em negócios rasteiros, nós, humanos, continuamos a atear o fogo desta progressiva erupção, cuja destruição final nem todos veremos, nem por muito tempo, enquanto a Terra, tórrida, seguirá sem nós...

Adendo radicalmente propositivo:

O desastre se aproxima, enquanto a orgulhosa orquestra capitalista continua engambelando os passageiros da Terra... Até crescem as discussões sobre a anunciada catástrofe ambiental, e é uma pena que a destruição que produzimos avance muito mais rapidamente...

Como evitar, para ficar na alusão, o duro choque com o iceberg?... Ou, talvez em imagem mais própria, a nossa queda no inferno?...

Sei não. Mas, tendo como referência o momentoso exemplo histórico, talvez seja necessário que surja no mundo um Talibã Ecológico...

Um movimento que, radicalizando a proteção ao meio ambiente, e abarcando todo o território terrestre, vença rapidamente esta luta inglória, e de tal forma que a gente se livre de vez dos que, há décadas, há séculos, destroem o nosso país e o mundo.

Uma organização que imponha a defesa do meio ambiente, e do varejo ao atacado. Desde, por exemplo, declarar inafiançável o crime da soltura de balões e preservar os espelhos de água e as suas fontes até organizar (talvez encerrar...), por completo e de supetão, aqui e no mundo, do garimpo ao agronegócio, entre outros males destruidores da Amazônia e de outras florestas.

Que a consciência nos leve à ação objetiva e salvadora!

Do jeito que está é que não vai ficar: só vai piorar...